Revistas
GRANTA 10
Revoluções
«A minha memória da revolução é pueril: um grito ao amanhecer anunciando guerra em Lisboa entrelaçado com a promessa de que acabou o tempo das reguadas e com uma aula de canto coral. A imagem que me ocorre não tem cravos vermelhos no cano das metralhadoras. Não é também a dos "sans-cullote" a avançarem sobre a Bastilha, nem a do assalto ao Palácio de Inverno, reconstituído por Eisenstein. Essas são revoluções sem nada de pueril. Foram feitas de sangue e fúria. Talvez também de sonhos, mas é frequente os anseios revolucionários envelhecerem mal. [...]» —CVM
Outubro de 2017
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GRANTA 9
Comer e Beber
«Somos escravos da comida; escravos voluntários, é certo. Temos as nossas vidas organizadas em torno de rituais alimentares. Poderia traçar-se o retrato de cada um de nós a partir dos hábitos comensais, de acordo com as idiossincrasias e as diferentes circunstâncias de tempo e de lugar; uma biografia gastronómica, por assim dizer. A literatura já o faz há muito. Comer pode ser uma forma de redenção. E também, graças a deus, uma elaborada forma de pecar. Jorge Luis Borges imaginava o paraíso como uma espécie de biblioteca; se não for pedir muito, que seja uma biblioteca, de preferência, onde se possa comer e beber.» —CVM
Maio de 2017
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GRANTA 8
Medo
«Há no medo qualquer coisa de íntimo. Não é de se andar a exibir por aí, sem mais nem menos. Nunca confessaremos a ninguém todos os nossos medos. Nem a nós próprios. Alguns, de tão recônditos, manifestam-se por caminhos ínvios. São múltiplas as suas declinações. Condenados ao medo, é o que soubermos fazer dele que ditará o desastre ou a salvação. Como uma flor carnívora, o medo fascina e repugna.» —CVM
Outubro de 2016
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GRANTA 7
O mundo é um palco
«Foi a poesia, antes da psicanálise, que nos tornou conscientes desta perturbante verdade existencial: somos múltiplos, habitados por heróis e vilões que se digladiam em silêncio. O que não temos dentro de nós, experimentamo-lo por empréstimo. Ouvimos os outros, reais ou imaginários, para vivermos outras vidas, escapando momentaneamente à nossa. Somos grandes, contemos multidões. Somos, cada qual à sua maneira, depósitos de histórias verdadeiras e inventadas, mas também fabricantes de realidades fantasmáticas: sonhos, fantasias e alucinações.» —Carlos Vaz Marques
Maio de 2016
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GRANTA 6
Noite
«Sabe-se lá o que a noite propicia e proporciona. Perdi a conta ao número de vezes em que me foi garantido que de noite todos os gatos são pardos. Sobre tudo, podem escrever-se tratados objectivos e rigorosos, descritivos, científicos, indesmentíveis; ou: podem procurar-se elos ocultos, memórias soterradas, pequenas verdades íntimas. Na noite cabe tudo: o tangível e o imaginado, a insónia e o sono, o sonho e o pesadelo, o cansaço e o descanso, a boca que beija e a boca que morde, o isqueiro e a lâmina, o salto e o susto, a sombra e a sombra da sombra.» —CVM
Outubro de 2015
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GRANTA 5
Falhar melhor
«Falhar melhor. O temperamento de cada um ditará se há na expressão de Beckett pessimismo, optimismo ou resignação. Ela é de tal modo poderosa, que corre o risco de vir a banalizar-se. Talvez já esteja à beira do lugar-comum. Dá bons títulos. [...] O desafio lançado aos autores que fazem este número está contido na brecha aberta entre o optimismo e o pessimismo, entre a ideia de falhar e a perspectiva de aperfeiçoamento. Um salto sem rede.» —CVM
Maio de 2015
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GRANTA 5
Traição
«A propósito do crime de "lesa‑majestade", ou seja, de traição ao rei, dizem as Ordenações Manuelinas (1521) "que é a pior cousa, e mais abominável crime que no homem pode haver, a qual os antigos sabedores tanto aborreceram, e estranharam, que a compararam à gafém [lepra], porque esta enfermidade enche todo o corpo sem se nunca poder curar […]; o erro da traição não somente condena o que o comete, mas ainda empece e infama todos os que de sua linhagem descendem, posto que culpa não tenham". Quinhentos anos depois, ainda consideramos a traição "abominável", embora nem todas as traições, e certamente não a traição por contaminação genealógica. Este número da Granta investiga diferentes traições, em diferentes domínios, com diferentes motivos. Serão essas traições todas iguais, ou haverá traições menos iguais que outras, traições compreensíveis, virtuosas até?»
— P.M.

«No dia 2 de agosto de 1914, Franz Kafka anotou em seu diário: “Hoje a Alemanha declarou guerra à Rússia. De tarde fui nadar.” No dia 12 de maio de 2020, anoto em meu diário: “Hoje morreram 881 pessoas no Brasil por causa do coronavírus. De tarde fui escrever a apresentação para a Granta.” Jamais teríamos acesso ao diário de Kafka, assim como a muitas de suas obras, se seu amigo Max Brod não tivesse ignorado o pedido de queimar todos os seus manuscritos após a sua morte. Viva a traição! Onde estaríamos sem ela?»
— G.P.
Maio de 2020
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GRANTA 4
África
«Neste número da Granta não se pretende de modo algum retratar África. O que aqui se apresenta são "partes de África". Pelo confronto entre os textos traduzidos da Granta de língua inglesa com os inéditos de autores de língua portuguesa escritos para esta edição é possível perceber de um modo muito agudo quão diverso é um continente tantas vezes tratado como entidade homogénea. Todos estes textos, todos estes autores são casos singulares. Nada disto é a África, tudo isto é África.» —CVM
Outubro de 2014
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GRANTA 4
Cinema
«Cento e vinte e quatro anos depois da sessão dos Lumière, já não nos assustamos quando o comboio avança na nossa direcção. Ou será que ainda nos assustamos? Habituámo-nos às imagens em movimento, mas continuamos assombrados com a sua força visual e emotiva, tão assombrados como em 1895. E porque entretanto transitámos de uma civilização do verbo para uma civilização da imagem, o cinema e as outras imagens audiovisuais confundem-se agora com o nosso imaginário. De modo que não sabemos o que vimos verdadeiramente visto ou o que imaginamos por termos visto.
Alguns dos textos desta edição confirmam uma evidência: a evidência de que o cinema é, desde a infância, uma das maneiras de conhecermos o mundo. Conhecemos o mundo cinematograficamente, quer dizer, incorporámos na nossa forma mentis uma linguagem, uma imagética, uma gramática, uma suspensão voluntária da descrença.»
— P.M.

«Você sabe quem foi Léon Bouly? Eu também não sabia. Pois Bouly foi o responsável por inventar um aparelho que batizou de cinematógrafo, do grego kinema, “movimento”, e graphein, “escrever”. Se faço aqui uma reverência a Bouly, não é só por ele ter criado o termo que mais tarde seria abreviado para cinema, mas também porque, ao criá-lo, ele foi a primeira pessoa a associar cinema e escrita. Esta edição é dedicada ao vasto e inesgotável território demarcado por Bouly: escritores que fazem filmes e cineastas que fazem livros; contos que parecem roteiros e roteiros que parecem contos; imagens filtradas por palavras e palavras filtradas por imagens; e, sobretudo, o cinema como mitologia, como mote e como método, a quem a literatura presta sua homenagem.»
— G.P.
Outubro de 2019
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GRANTA 3
Futuro
«O futuro já não é o que era. As grandes narrativas esgotaram-se, as colecções de ficção científica perderam adeptos em favor das sagas de fantasia, a Previdência (e a Providência) é deficitária, o planeta aqueceu, e o teletransporte, que a série televisiva Espaço 1999 nos prometeu, não chegou a acontecer. Passámos, no espaço de um século, do entusiasmo tecnológico e científico (a antecipação das novelas de Júlio Verne) ao no future que a geração punk anunciou. E agora até esse anúncio nos parece temerário, uma vez que a velocidade do futuro deixou para trás as frases sobre o futuro.» — PM

«Futuro? Que futuro? Nunca faço planos pro futuro, mas ele faz cada um pra mim… A frase de Millôr Fernandes bem poderia ser a epígrafe desta edição de Granta, que traz diferentes olhares sobre quão indomesticável é o futuro e, ao mesmo tempo, quão indomesticável é nosso desejo de domesticá-lo. Aqui estão textos que falam sobre o futuro pessoal, o futuro existencial, o futuro político, e como todos eles se relacionam. Haja passado para tanto futuro. Diz Philip K. Dick: O futuro é mais coerente do que o presente, mais animado e dotado de um objetivo, e, num sentido real, mais sábio. Tomara que ele esteja certo.» — GP
Maio de 2019
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GRANTA 3
Casa
«Todos temos uma história pessoal para contar a partir das casas que habitámos. Mas também a partir daquelas sobre as quais lemos e que imaginámos. É esse o desafio do terceiro número da Granta. "Os as casas as casas as casas / mudas testemunhas da vida". Celebremos as casas: casulos de memória onde se guardam ilusões que o tempo desfez, gestos que não se repetirão, fragmentos e ruínas do que fomos. Aquilo que somos.» —CVM
Maio de 2014
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GRANTA 2
Deus/es
«Deus existe, acreditemos ou não. Eu não acredito mas sei que existe, de tanto ter lido a respeito dele. Tal como existem Romeu e Julieta, D. Quixote e Sancho Pança, as infelizes Emma Bovary e Anna Karénina, o triângulo trágico formado por Simão Botelho, Teresa e Mariana ou o casal Bentinho e Capitu. Seja matéria de fé religiosa ou simples constatação cultural, a existência de Deus (ou de deuses) impõe-se-nos desde tempos imemoriais. Antes de todos os outros, um autor anónimo criou o mundo ou foi criado por ele.» — Carlos Vaz Marques
Outubro de 2018
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GRANTA 2
Poder
«O querer, o poder, se divididos são nada, juntos, e unidos são tudo. O querer sem o poder é fraco, o poder sem o querer é ocioso, e deste modo divididos são nada. Pelo contrário o querer com o poder é eficaz. o poder com o querer é activo, e deste modo juntos, e unidos são tudo.» —Padre António Vieira
Outubro de 2013
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GRANTA 1
Eu
«A primeira pessoa do singular é o ponto de partida literário por excelência. Dele emerge, nos melhores casos, um olhar capaz de nos restituir o mundo a partir de uma perspectiva inaugural, permitindo-nos questionar e reavaliar não apenas o que nos rodeia e o que vemos mas acima de tudo aquilo que somos. Dizemos "eu" a todo o momento, mesmo quando julgamos estar a enunciar verdades universais. Pediu-se aos autores portugueses que compõem este número inicial que interpretassem tão livremente quanto possível o mote que lhes foi proposto.» —CVM
Maio de 2013
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